quinta-feira, 17 de março de 2011

Páginas do roteiro do filme vazam

Na verdade, ninguém sabe ao certo o que esperar desse filme ou até mesmo se vai rolar. Recentemente páginas de um dos roteiros do filme vazou para a Internet. Pelo visto os "cabeças" fizeram uma lobotomia na obra de Katsuhiro Otomo! Mas vale salientar: essas são passagens de uma das várias versões do roteiro do filme. Ninguém sabe ao certo o que fica e o que sai disso aí. Abaixo uma lista do texto divulgado pelo site Omelete:

* Kaneda e seu amigo de infância Tetsuo manteriam seus nomes japoneses, mas se tornariam irmãos.

* A personagem Kei se tornaria Ky e conheceria Kaneda na prisão. O protagonista, como no original, se interessa por ela, mas de maneira mais incisiva. Kei, novamente uma revolucionária anti-governo, também teria um conhecimento muito maior das experiências com as crianças superpoderosas e o mítico Akira.

* Deixadas de lado no anime, as drogas pesadas teriam participação muito maior no filme. Tetsuo as engoliria o tempo todo para controlar seus crescentes poderes. Se a censura for definida para 13 anos, porém, é provável que elas sejam eliminadas.

* O site reclama inúmeras vezes da qualidade dos diálogos, dignos de sitcom, algo que Kloves deve alterar significativamente.

* A cidade de Neo-Tóquio será alterada para Neo-Manhattan.

* Uma das lutas entre Kaneda e Tetsuo se passaria em um... boliche. E, pior, envolveria bolas de boliche sendo atiradas telepaticamente.

* Com os nomes de Torres (que tem no currículo filmes assumidamente religiosos) e Hughes (Livro de Eli contém temas bíblicos) entre os envolvidos, parece que um subtexto messiânico existe no filme, na busca de Tetsuo por Akira. A frase "Akira. Eu ouço sua voz. Sou seu salvador. Aquele que vai ressuscitá-lo. Seu sopro de vida. Vou encontrá-lo. Libertá-lo. Ajudá-lo a desmantelar tudo outra vez" comprova esse viés inexistente no original.

Quero saber é onde que tá o Otomo que ainda não deu uns berros em alguém! O furo é do site iO9. O filme deve ser filmado em duas partes pelos irmãos Allen e Albert Hughes. A Nova versão do roteiro fica por conta de Steve Kloves autor de todas as adaptações de Harry Potter menos A Ordem da Fênix.

Akira ganha mais uma página em sua novela

Que esculhambação, mas é isso mesmo. Meu medo é que tanto zelo e tantos nomes se envolvendo e saindo em seguida não transforme o filme de Akira em um “Besouro Verde”. O fato é que a Warner Bros. agora coloca Steve Kloves para dar uma aparada nas versões que Akira já ganhou de roteiro. Primeiro passou por Gary Whitta que escreveu o bom O Livro de Eli, depois o roteiro ganhou um reforço de Mark Fergus e Hawk Ostby do ótimo Filhos da Esperança (e eles também mexeram em Homem de Ferro) e por fim, Albert Torres de Henry Poole is Here. Quer dizer, é muita gente pra organizar um texto. Por mais que sejam todos oriundos de bons filmes, muitas cabeças podem causar um dano danado ao roteiro. Steve Kloves é o roteirista de todos os Harry Potter (menos A Ordem da Fênix- um dos mais medianos). Isso denota também que a Warner quer fazer a coisa direito pelo menos. Digo, se vão colocar o “medalhão” deles pra tomar de conta, isso é boa coisa, certo? Não há datas para nada ainda. Os diretores serão Allen e Albert Hughes, que dirigiram Do Inferno, adaptação mediana de uma obra de Alan Moore.

Vale à Pena Assistir de Novo: Akira


Um marco. A animação Akira foi um verdadeiro marco na animação mundial. Acredito que nada assim havia sido realizado até então. Claro que a Disney e os irmãos Fleischer fizeram trabalhos memoráveis no campo da animação até então, mas o mundo ainda não tinha presenciado um filme animado como Akira. O ano era 1988 e o filme dirigido e escrito por Katsuhiro Otomo explode nos cinemas causando grande impacto principalmente nos Estados Unidos. Claro que no Japão o filme foi um sucesso, mas os estadunidenses não estavam preparados para a dose cavalar de adrenalina, violência, ação e inteligência que Akira tinha a oferecer. Eles não tinham muito disso por lá com tamanha perfeição. Fico imaginando o que os animadores da época pensaram do filme. Primeiro ficaram estupefatos! Depois a inveja deve ter batido e eles ficaram resmungando no canto. Anos depois o mercado dos Estados Unidos já estava rendido à criação de Otomo elevando o mangaká a ídolo japonês na terra do Tio Sam. Eu lembro da primeira vez que assisti Akira. Eu conhecia apenas de nome e alguma coisa que havia passado na TV falando da repercussão do filme, mas ainda não tinha dado a devida importância, só sabia que era “de deixar a boca aberta”. Um amigo meu alugou o filme dublado em VHS alguns poucos anos depois (só tínhamos cópias dubladas na época para animação em geral) e em um começo de noite, eu vi aquilo que eu nunca tinha visto numa animação e sempre quis ver: coragem! Veja bem, animação japonesa no Brasil quando chegava à TV aberta era aquelas animações infantis ou vinha pra cá todo cortado (censurado) até a vinda de Cavaleiros do Zodíaco em 1994. Anteriormente as coisas eram mais simples, mas no Japão sempre foram tripas pra fora! Bom, então imagine a minha surpresa quando vi gente sendo espancadas, tripas caindo da barriga, sangue espichado nas paredes, mortes horrendas, anarquismo, politicagem e tudo mais num filme como esse? Eu surtei! Pensei: porra, porque não existem mais filmes assim? Hoje é mais comum, verdade.O mais interessante de Akira é a animação em si. Toda feita no punho, sem artifícios de computação gráfica tão comum hoje em dia, e ainda assim Akira se mostra atual e superior a muita coisa feito hoje em dia. Akira foi um divisor de águas na forma de se fazer animação adulta no mundo, mais ou menos ali comparando com o surgimento de Alan Moore nos quadrinhos mundiais. Muitos fãs de animes acham que Naruto, Death Note, Cavaleiros do Zodíaco, Bleach, Higth School of Dead os verdadeiros tesouros da animação japonesa, mas nem de longe. Akira abriu definitivamente as portas para o mercado japonês, fez com outros paises se voltassem para aquela cultura tão fechada, que não tem receio de mostrar sangue em suas animações. Akira abriu as portas para que todos esses animes tão conhecidos hoje ganhassem o mundo de vez.A trama em si é fantástica, aliando ficção científica, com rebeldia juvenil, politicagem, militarismo, conspiração e violência. Vou tentar usar uma “linha reta” para falar da trama, pois a história do filme difere bastante em muitas partes da do manga. No filme Kaneda, um líder de gangue de Neo Tokyo durante uma luta nas ruas com a gangue dos Palhaços acaba tendo seu amigo Tetsuo preso pelos militares após um acidente misterioso que se deu a partir do encontro do jovem com um garoto de pele azul. O Coronel que estava em captura do jovem de pele azul acaba levando Tetsuo para exames por conta do contato. A partir desse momento Kaneda e sua gangue tentam reaver o amigo perdido e entram num jogo perigoso entre o exército e seus seres com poderes psíquicos. Tetsuo acaba ganhando poderes latentes e fica muito forte de repente, renegando Kaneda e os amigos, indo contra o exército e querendo achar Akira para mostrar quem é o mais forte, pois ele sabe que Akira foi o mais poderoso de todos e causador da Terceira Guerra Mundial. Desse ponto em diante Kaneda enfrenta seu amigo de infância inúmeras vezes chegando no seu final fodastico com Tetsuo perdendo o controle de seus poderes e Akira que havia sido morto (!) e dissecado (!!) para evitar que ele voltasse de alguma forma. De nada adiantou, pois o garoto retorna de qualquer maneira no final para salvar Tóquio. As diferenças com o mangá são várias. Akira não está morto na versão de papel, chega a se unir com Tetsuo e depois se volta contra ele. O líder dos Palhaços que no filme aparece pouco e tem apenas uma fala, no mangá vai até o final ajudando Kaneda. Outras diferenças tem a ver com outros personagens que nem aparecem direito no longa de duas horas e que são de certa forma importantes para a trama. Mas como o próprio Katsuhiro Otomo, o criador do manga fez o filme, ele melhor do que ninguém para fazer sua adaptação. Detalhe: quando o filme começou a ser produzido o manga do Akira teve de ser interrompido, pois Otomo estava ocupado dirigindo o longa. Isso quer dizer que nos quadrinhos Akira ficou sem um final por muito tempo. Apenas depois o criador resolveu finalizar a trama e por um fim de vez na saga de Kaneda, que acabou não diferenciando muito do longa.Atualmente estão tentando levar Akira para o cinema em Live-Action, e Hollywood irá transformar Neo Tokyo em New Manhattan (ou uma merda assim). Adaptação estadunidense está tentando achar um elenco que sirva, mas pra mim tudo tem cara de Dragonball versão da Fox Films: lixo descaracterizado! O filme será dividido em dois e não tem nenhum cronograma. No Brasil o mangá editado em formato ocidental e colorido saiu pela Editora Globo em 38 edições. No momento Akira está indiponivel para ser reeditado pelo mundo se não me engano, mas há editoras (várias) atrás disso, pois é muito pedido pelos leitores brasileiros. O filme ganhou uma versão em DVD ano passado também e já há uma versão Blu-ray nos Estados Unidos.

Texto original do blog Bueiro Fétido